Artigos

Textos interessantes para os pais

Clique nos títulos para ler os artigos

SOBRE REGRAS E LIMITES

A infância caracteriza-se pelo desenvolvimento físico e mental, através de uma combinação entre herança genética, condições do meio-ambiente e educação.

As modificações fazem parte do desenvolvimento, o que será harmonioso quando a criança encontrar AMOR e ACEITAÇÃO DAS NECESSIDADES PRÓPRIAS DA INFÂNCIA.

A família assume um papel fundamental na sociedade, sendo responsável por educar as novas gerações de acordo com padrões dominantes de valores e condutas.

É na família que ocorrem os primeiros aprendizados dos hábitos e costumes da cultura. Exemplo: o aprendizado da língua, essencial para que a criança se aproprie do mundo a sua volta. É ali, na família, que se concretiza o direito aos cuidados essenciais para seu crescimento físico, psíquico e social.

Pesquisas apontam que o envolvimento dos pais na educação dos filhos tem sido reconhecido, também, como amplificador no seu desenvolvimento social, emocional e na competência acadêmica das crianças.

As atitudes educativas que os pais podem ou devem apresentar na interação com os filhos é bastante ampla e variada, permeando entre manter o diálogo com os filhos, fazer perguntas, expressar sentimentos e opiniões, colocar limites, cumprir promessas, concordar com o cônjuge sobre formas de educação dos filhos e reagir a comportamentos adequados ou inadequados. Quando é possível verificar a existência satisfatória deste conjunto de normas nos pais, observa-se, também, um melhor ajustamento social e saúde psicológica da criança.

Alguns pais temem, ou não conseguem, ou não sabem o modo adequado e, também, a importância de se estabelecer as regras e limites na educação das crianças.

Primeiramente, é necessário definir quais os limites a serem estabelecidos, os quais variam de acordo com cada família, com a idade da criança e com o seu desenvolvimento. Uma vez que esses limites foram estabelecidos (horário de dormir, das refeições, dos estudos, etc.), é importante explicitá-los antecipadamente por meio de uma conversa, deixando claras as conseqüências ao descumpri-los. Qualquer limite deve ser o mais claro possível.

É importante que o adulto aja com consistência, pois a criança reconhece quando um não pode ser um talvez e, nesse caso, não irá cumprir o que foi estipulado. Pais inseguros em suas decisões geram crianças que testam suas possibilidades, em função dos próprios desejos, os quais nem sempre são os mais favoráveis em determinadas situações.

As crianças não ficam infelizes ou "traumatizadas", como alguns pais podem pensar ao se impor regras e limites. Pelo contrário, se sentem mais seguras. Pais que não toleram a frustração momentânea do filho (exemplo: chorar e/ou gritar ao não poder comer "aquele" doce antes das refeições), ensinam que deve obter tudo o que se deseja a qualquer custo que todo sofrimento é intolerável. As perdas sempre parecerão maiores do que realmente são. Um limite não deve ser quebrado porque a criança teve alguma reação negativa, é função do adulto manter o combinado, anteriormente.

É importante prover conseqüências positivas ao que foi cumprido. A criança deve ser incentivada a cumprir acordos com elogios, atenção e afeto a adequação de seu comportamento no respeito aos limites. Salienta-se que os pais devem ser um modelo de comportamento para os filhos, devendo cair por terra o ditado: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".

Muitos pais pressupõem para o filho a mesma educação que tiveram. Assim, invalidam o modo de pensar da criança. A falta de convívio familiar, como conseqüência da correria do dia-a-dia, faz com que muitos pais procurem compensar a mesma atendendo todas as vontades do filho, o que está errado, pois é preciso mostrar que existem regras a serem cumpridas.

Estabelecer uma rotina transmite senso de organização e respeito. A mãe pode e deve impor limites, sem confundir autoridade com autoritarismo. E a melhor forma de falar isso é falar não.

A palavra "não", ao contrário do que muitos pais acham, é favorável ao desenvolvimento adequado, saudável e satisfatório. Pois, a sua ausência pode trazer sérios problemas ao relacionamento de pais e filhos, baixa tolerância à frustração e a infelicidade pessoal. Além de abrir portas ao envolvimento com drogas e outros comportamentos infratores.
Vanessa S. O. Dangió
Psicóloga

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

"Contar histórias é um ato de amor, um momento especial de interação adulto – criança"
Ouvindo histórias, a criança reforça seus laços afetivos com a mãe, o pai, a avó, a professora; desenvolve sua fantasia e aprende a lidar com a realidade de uma forma divertida.
Pedagogos e psicólogos definem o hábito de contar histórias como essencial e insubstituível para o desenvolvimento emocional e a aquisição de conhecimentos, por parte da criança, acerca do mundo e da cultura.
No momento de contar histórias o que vale é a interação, a disposição e o interesse demonstrado pelo adulto, porém algumas dicas podem dar mais magia a este acontecimento:
- Uma boa hora para contar uma história é antes da criança dormir,criando assim, uma rotina agradável e esperada pela mesma.
- Ofereça um repertório variado e deixe a criança escolher seus contos preferidos.
- Não se incomode de contar a mesma história sempre. Por meio da repetição é que o conto ganha significado especial para a criança : assim ela experimenta os diferentes papéis e emoções dentro de uma mesma história.
- Não é preciso simplificar o vocabulário . As crianças podem entender o sentido de uma palavra pelo contexto. Só explique o que ela pedir.
- O conto de fadas mexe também com você, não finja que não está se emocionando, pelo contrário , dramatize e coloque seus sentimentos para fora. A "troca" fica mais rica.
- Faça as vozes dos personagens explorando ao máximo todas as suas possibilidades vocais, utilizando onomatopéias quando puder e alguns gestos como: piscadas, olhos arregalados ou momentos de silêncio para dar suspense.
- Crie uma rotina para iniciar a história usando uma dinâmica ou mesmo uma música, jamais inicie com um "psiuuu !!! Silêncio ou eu não conto !!!
- Mas se mesmo assim você não conseguir ou não gostar de contar histórias interpretando-as, simplesmente leia um livro, mas leia, pois este é um momento mágico e todos irão dormir felizes.
Boa história !!!!
Tininha Galvão Pupo
Coordenadora Pedagógica

A CHEGADA DO IRMÃO

Medidas práticas para aliviar o ciúmes do primeiro filho

A Segunda gravidez traz alegria e apreensão. Ficamos preocupadas com as possíveis reações do primeiro filho. Será que ele vai sentir muito ciúme? Vai sim. A chegada do irmão é bem estressante, sobretudo se a diferença entre eles for de dois a quatro anos. Prepare-se para viver um período de emoções intensas.

ANTES DO NASCIMENTO
· Faça mudanças com antecedência. Pode ser a presença de uma babá, o início da escola ou uma mudança de cama.
· Não descreva o bebê como "um irmãozinho para brincar com você". Ele não será isso por muito tempo. Em vez disso, fale sobre como ele vai chorar e molhar a fralda.
· Planeje as semanas próximas ao nascimento (antes e depois). Se o pai ou uma babá vai ficar com a criança, explique as mudanças na rotina. Pequenos detalhes podem Ter grande importância quando você não estiver por perto. Não deixe de se despedir ao sair para o hospital.

OS PRIMEIROS MESES
· Ao voltar para casa, concentre sua atenção na criança mais velha. Procure entrar sem o bebê no colo. Lembre-se que seu filho quer você e não o bebê.
· Amamente com descrição. Este é um momento que gera muito ciúme. Nos primeiros dias, alguém pode distraí-lo enquanto você amamenta com tranqüilidade.
· Aceite um comportamento infantil. Não insista em dizer "isso é coisa de bebê, você é um menino grande". Ofereça um colo especial. Deixe claro que você o ama mesmo que ele decida agir como um bebê. Pode parecer absurdo para você, mas não para ele.
· Deixe a criança expressar os sentimentos negativos. Você pode ajudá-la dizendo: "Eu sei que as vezes você gostaria que ele não estivesse aqui" ou "Agora vou Ter que dar de mamar ao bebê. Deve estar sendo difícil para você Ter que dividir a atenção da mamãe. Depois vamos brincar juntos".
· Reserve um tempo para as antigas rotinas e crie novas situações de convivência a dois. Uma volta no quarteirão, um jogo, o importante é estar disponível para a criança.
· Crie algumas vantagens para o mais velho. Este é o momento para novos privilégios, como dormir mais tarde ou passear com o pai. A atuação do pai pode fazer grande diferença na reação da criança e é uma oportunidade maior de aproximação entre eles.
· Não permita que a criança machuque o bebê. Por mais compreensiva que você seja, ela se sentiria muito culpada se algo de mau acontecesse. Esteja sempre por perto quando ela se aproximar do bebê.
· Procure fazer a criança sentir que o bebê gosta dela. É mais fácil gostar das pessoas quando sentimos que gostam de nós. Você pode comentar: "Ele adora o Pedro. Sempre sorri quando ele aparece".

Texto extraído da Revista Cláudia .

BRINCAR É COISA SÉRIA:

Família e escola aliadas para um desenvolvimento saudável

A brincadeira sempre fez parte do universo infantil. No palco da vida do infante ela se manifesta desde os primeiros anos, reinando em absoluto, até o início da adolescência.
Atualmente, o brincar ganha destaque, sendo uma atividade defendida por especialistas da infância. Esta atividade levada a sério promove o desenvolvimento da inteligência, da afetividade, da motricidade e da socialização dos pequenos. E a família, como primeiro núcleo socializador e parceira da educação, não pode ficar de fora desta despretensiosa maneira de promover o desenvolvimento.
Para a criança de 0 a 6 anos de idade, a caminho da construção de um pensamento lógico e da sua personalidade, nada melhor que aprender e vivenciar as coisas do mundo brincando. Brincar é extremamente importante, pois é a condição para o desenvolvimento neuropsicológico, facilitando o ensino-aprendizagem, a criatividade, a compreensão do mundo e a construção de sua autonomia. A criança não é "gente grande" em miniatura e deve ser entendida como um ser em desenvolvimento, um ser com possibilidades infinitas quanto ao seu potencial cognitivo, afetivo e social, sendo a família e a escola um dos facilitadores do desabrochar dessas potencialidades. Ainda nesta idade a criança passa por dois estágios que ajudam na promoção da aprendizagem, a grosso modo, podemos dizer que é como aquele brincar que nós adultos tínhamos quando criança, através da manipulação concreta dos objetos e do brincar de faz de conta. Brincar de casinha, de mamãe e papai, de professor, de médico, cientista, aviador, de teatro, de contadores de histórias entre tantas peripécias que nossa imaginação pudesse levar. O pular corda, a amarelinha, o subir em árvores, jogos de mímicas, o passa anel, jogo de burquinhas, jogos de bola, como também os joguinhos de forca, da memória, de stop, o dominó, essenciais para o processo cognitivo, para a parte motora, para a interiorização das regras de convivência social, afetividade e socialização.
Porém, o lúdico precisa deixar de ser visto como um "mal necessário" para ser observado como um elemento facilitador do desenvolvimento integral, destacando a função cognitiva, afetiva e social. Através do brincar a criança pensa, se expressa e constrói idéias, desloca para o exterior seus medos, angústias e problemas internos, dominando-os por meio da ação. Repetem na brincadeira todas as situações do seu dia-a-dia, permitindo tornar ativo aquilo que foi interiorizado passivamente, modificando um final que lhe foi penoso, tolerando papéis e situações que seriam proibidas na vida real tanto interna como externamente, repetindo à vontade situações prazerosas e aquelas que lhes foram frustrantes. Ela é a linguagem da criança, assim como o diálogo é a linguagem do adulto. Por esta atividade também facilita a construção das categorias básicas do pensamento importantes para o raciocínio lógico e para uma postura autônoma, conquistadas somente no mais tardar.
Portanto, brincar é experimentar o mundo e as suas sensações, é conhecer e se redescobrir, aproveitando-se dessa "despretensiosa" atividade, torna-se um elo entre a criança, pais e educadores, como ferramenta ideal para a educação.

Maria Raquel Christianini
Psicóloga Clínica
Especializanda em Psicopedagogia

COMO AUXILIAR O FILHO NA TAREFA

Quando o filho(a) chega com a tarefa em casa, sempre ficamos em dúvida qual a melhor maneira de ajudá-lo. Leia as dicas abaixo, que poderão tornar este momento mais tranqüilo e realizado da maneira correta:

1. Antes de começar a tarefa é necessário que você providencie um local adequado com boa iluminação, espaço para colocar a folha e os materiais que serão usados, sem muito som externo (como TV ligada ou rádio). Combinem um horário, leia novamente a tarefa com ele, pergunte se entendeu ou sabe o que é para fazer. Por contar com sua atenção, a criança pode, no começo, sempre dizer que não entendeu ou não sabe, mas com o tempo isso muda, tenha um pouco de paciência.

2. Quando a tarefa for:

· Desenhar: peça para que preste atenção ao que se está pedindo, após o término, questione o que desenhou. Caso a criança queira desenhar outras coisas, diga que na tarefa ele deve desenhar o que foi pedido, mas ofereça outra folha para que depois possa explorá-la com outros desenhos.
· Desenho e escrita: valorize-o quando ele for caprichoso e estimule-o a refazer quando os resultados não ficarem bons. Se ele não quiser, não insista. Na escrita, pronuncie a palavra sem pausas entre as sílabas. Por exemplo: cachorro ao invés de ca-cho-rro.

3. Se for pedido que seja escrito algo e a criança disser que não sabe escrever, oriente-a a escrever da forma que souber. Se necessário, pronuncie a palavra duas ou três vezes, não diga as letras da palavra, pois isso não contribuirá na aprendizagem do seu filho(a). Se quiser, escreva todas as letras do alfabeto num papel ( ou utilize o alfabeto da pasta) e questione qual letra ele acha que é.

4. Sempre solicite que o seu filho leia o que escreveu na tarefa. Se para ele estiver correto tudo bem, pois em classe as atividades são elaboradas no sentido dele pensar sobre a construção das hipóteses de escrita e leitura.

5. Uma forma de você auxiliar é valorizando a leitura e a escrita enquanto práticas sociais. Solicitar que ele auxilie nas compras, pegando os produtos que conhece, ler as placas de trânsito, ler letras de música (que já conheçam), comentar com ele uma reportagem ou algo que leu.

6. Recorte, colagem – separar o material que pode ser recortado e deixar que a criança procure a figura, recorte primeiro a folha toda (revista ou livro), depois a figura em questão. No caso de jornal, destaque a página toda, para depois recortar a figura.

7. Passatempo: jogos dos 7 erros, caça – palavras, cruzadinhas. Chame a atenção da criança para importância da observação dos detalhes, dos desenhos (7 erros), das letras inicial ou final (caça-palavras) e a quantidade de letras, bem como as letras que compõe a palavra (cruzadinha).

8. Pesquisa: separe o material e deixe que seu filho o manuseie antes de trazer para a escola. Se possível, sempre envie o portador de texto (livro, revista, jornal) onde encontrou a pesquisa ou coloque o endereço do site, quando for de internet.

9. O mais importante é saber que a tarefa é do filho(a), de maneira alguma deve ser feita por outra pessoa. Caso ele não queira fazer a tarefa, envie-a de volta a escola, que a professora estará conversando com ele.

QUANDO TIRAR A FRALDA?

Ensinar a criança a usar o sanitário não é questão de idade, mas de momento certo. Alguns sinais indicam quando ela está pronta.
Assim que a criança completa 2 anos, começam as pressões para tirar a fralda. A avó diz que é hora de usar o penico, a escola só aceita crianças que vão ao banheiro e a filha da amiga já usa calcinha. É comum os pais acreditarem que os pequenos que aprendem mais cedo são mais inteligentes ou têm pais mais competentes. No entanto, sabe-se que o fato de deixar de usar fralda não tem relação com inteligência e que pressionar a criança a largá-la antes da hora gera revolta e resistência.
Parte do sucesso do treinamento está em iniciá-lo quando a criança estiver preparada, independentemente da idade. Os sinais de prontidão são os seguintes:
· Ela fica seca por no mínimo duas horas durante o dia (isso pode não acontecer se ela ingere líquidos toda a hora).
· Ela pára de brincar por alguns minutos para urinar ou defecar, o que mostra que já têm consciência dessa sensações em seu corpo. Ela compreende as palavras referentes ao assunto, como "molhada"' ou "cocô".
· Ela já entende e segue ordens simples, além de pedir algumas vezes para ser trocada ( embora nem sempre esteja disposta a parar para tirar a fralda).
· Gosta de imitar o comportamento dos adultos, está aprendendo a tirar e colocar a roupa sozinha e tenta fazer as coisas sem ajuda. Está também numa fase positiva e atende aos seus pedidos.
· Ela é capaz de sentar-se numa cadeira pequena de três a cinco minutos enquanto você lê uma história ou conversa com ela.
Outro fator que influencia o treinamento higiênico é o temperamento. Uma criança ativa não vai estar disposta a sentar-se no penico nem por um minuto. O melhor a fazer é esperar até que ela tenha paciência para ficar sentada e ouvir uma história curta. Crianças com rotina de alimentação, sono e evacuação mais previsível terão mais facilidade para fazer a transição. O tempo de atenção também é uma característica que deve ser levada em conta. No início da aprendizagem, a criança mais concentrada vai conseguir manter o foco no motivo de estar sentada no penico. Os pais de crianças de personalidade forte, aquelas que expressam os sentimentos de alegria, raiva ou tristeza de maneira veemente, terão um trabalho extra em controlar as próprias emoções e evitar disputas de poder com os pequenos.
Convém lembrar que o treinamento higiênico não é uma habilidade que a criança aprenda sozinha, como andar ou falar. Seu filho vai precisar de ajuda e incentivo para entender o que se espera dele. Na verdade, essa é a primeira vez que se exige da criança empenho para executar determinada tarefa. Dependendo da maneira que conduzimos esse treinamento, ela pode sentir-se orgulhosa de suas realizações ou envergonhada de seu fracasso. Por isso, é importante conquistar o interesse e a cooperação dos pequenos e evitar pressões, ameaças e cobranças exageradas, tão danosas à auto-estima. Não devemos esquecer que esse é um longo processo de aprendizagem, com progressos e retrocessos, e que requer dos adultos envolvidos compreensão e paciência.

Adriana Tavares, Psicopedagoga.
Revista Claudia, editora Abril, Outubro 2002

SOBRE ATRASOS E RESPONSABILIDADE

Outro dia fui a uma escola para uma reunião com os professores ao final do período da aula e cheguei perto das 18 horas. Por todo o espaço escolar, havia crianças correndo, gritando, conversando, jogando, brincando, desde as da educação infantil (com menos de seis anos) até as que freqüentam as séries iniciais do ensino fundamental.
Como as aulas já haviam terminado, perguntei por que as crianças permaneciam lá. A diretora me respondeu que muitos pais se atrasam para buscá-las e, por isso, a escola permanece aberta até que o último aluno seja levado para casa. Ela disse, inclusive, que isso pode ocorrer perto das 19 horas. Para uma escola que finaliza as aulas às 17h45, é muito tempo. Resolvi fazer uma pesquisa rápida com amigos e colegas que trabalham em escolas e todos repetiram a mesma coisa: muitos pais costumam se atrasar para buscar os filhos, e esses atrasos variam de 15 minutos a uma hora. Conhecedoras da situação, algumas escolas até fazem contratos à parte com os pais e cobram por esse período. Se essa é uma boa saída para a escola, que pode, desse modo, remunerar funcionários especificamente para essa tarefa -afinal, as crianças não podem ficar sozinhas nesse período-, não o é para os alunos.
Uma criança não tem a mesma noção de tempo do adulto. Para ela, o tempo cronológico do relógio não tem muito significado. O decorrer do dia, para a criança com menos de seis anos, é compreendido a partir das experiências que ela vive. Desse modo, ela entende que, terminado o tempo de estar na escola, acaba o período de ficar separada de seus pais ou de sua casa, que os representa nesse momento. Isso quer dizer que um atraso de 15 minutos, se não faz muita diferença para o adulto, para a criança o faz. Faz parte da rotina escolar o fechamento do dia para que o aluno se organize e se prepare para a mudança de experiência, e isso acontece no horário combinado. A partir desse momento, a criança espera por seus pais ou responsáveis porque sabe que, depois da escola, é hora de encontrá-los e ir para casa.
Quando eles demoram, mesmo que por alguns minutos, a criança se ressente. Tem receio de ficar desamparada, sente-se solitária -já que o grupo com o qual se identifica foi desfeito- e experimenta o isolamento, mesmo que ao lado de vários colegas cujos pais são, igualmente, retardatários. Nessa idade, a criança não entende o que é atraso nem os motivos que podem provocar isso na vida de um adulto e, por isso, interpreta que foi abandonada.
Para os alunos mais velhos, que já dominam um pouco mais o tempo cronológico, o atraso dos pais é também problemático, já que eles relacionam a demora com o fato de não serem uma prioridade. E por que os pais se atrasam para esse compromisso tão sério? Em primeiro lugar, vivemos numa cultura que não dá muita importância à pontualidade. Atrasos são sempre tolerados e até previstos em quase todas as atividades. Em segundo, porque o trabalho exige cada vez mais das pessoas, e elas se comprometem cada vez mais com essa parte de suas vidas. Entretanto, quem tem filho precisa encarar as mudanças que isso provoca na vida -de homens e mulheres- e se programar para dar conta de compromisso tão importante.
Claro que imprevistos ocorrem na vida de qualquer um, mas quem tem filhos precisa contar com essa possibilidade e se organizar para que alguém o substitua nesses momentos. O que não pode acontecer é o que tem ocorrido: atrasos sistemáticos dos pais. Ora, isso é não assumir o devido compromisso com o filho e com o papel de mãe e de pai. Imprevisto nenhum justifica essa situação.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (ed. Publifolha)
Texto extraído do jornal Folha de São Paulo- Caderno Equilíbrio São Paulo, quinta-feira, 15 de junho de 2006

TELEVISÃO - MEU FILHO DEVE OU NÃO ASSISTIR?

Tenho notado, em meu trabalho com crianças, que uma das atividades em que elas mais se dedicam é a de assistir televisão. Isso se dá de uma forma preocupante pois muitas crianças, além de gastarem bastante tempo vendo tv, parecem infelizes longe da telinha e impossibilitadas de fazer outra coisa qualquer.
Sem querer desvalorizar esse importante meio de comunicação, é recomendável atentar para a tudo o que se torna um exagero na vida das pessoas, inclusive a tv. Pensemos nas crianças.
A infância é um período de grande desenvolvimento da pessoa como ser ativo. E assistir televisão pode ser considerado uma atividade passiva que, quando em excesso, acaba prejudicando o desenvolvimento do indivíduo em seus diversos níveis: físico, intelectual, emocional e social.
O desenvolvimento da criança se dá principalmente na brincadeira. É a atividade mais importante em sua vida, através da qual conhece o mundo, relaciona-se com os outros, movimenta-se propiciando o desenvolvimento físico e motor, cria fantasias, aprende coisas e tudo de uma forma ativa.
Quando se assiste um programa televisivo, tudo está pronto e criado. A atitude de quem o faz torna-se bastante passiva em diversos níveis. Observando certas crianças vendo televisão tem-se a impressão de que estão hipnotizadas. Algumas delas, quando muito expostas à tv, ficam prejudicadas em sua capacidade de brincar, aprender, fantasiar, desenhar etc.
Não penso que com isso o melhor seja deixar as crianças longe da tv, mas cuidar, especialmente entre os pequenos, para não haver uma super-exposição diante da telinha. Até porque a própria programação deixa muito a desejar. As crianças tendem a imitar os outros e imitarão os personagens de tv que na maioria das vezes não são modelos adequados. Basta olhar como lutam. Isso quando não praticam atos perigosos e fantasiosos pois tendem a não separar a realidade da fantasia. Se o super-homem voa com sua capa, a criança também poderá voar se estiver vestindo uma. Isso, quando os programas não lhe causam medo e terror.
No entanto, não basta apenas diminuir a freqüência da criança na frente da tv. É recomendável também que as pessoas que dela cuidam ofereçam outras opções de atividades, além de evitar a exposição precoce, já que isso causa um certo vício nesta atividade.
Há pais que colocam seus bebês frente ao televisor, acreditando que irão se desenvolver adequadamente. Quando muito, tal atitude interfere negativamente no desenvolvimento da linguagem que, para ocorrer, necessita de constância de sons, algo não proporcionado pela tv.
Como já disse, não sou a favor da proibição da televisão da vida das crianças. Mas fica a sugestão de restringir o acesso, bem como proporcionar discussões sobre o que se assiste na tv. É sempre aconselhável ficar de olho no conteúdo da telinha.

Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga pela usp, especializada em problemas de aprendizagem.
É co-autora do livro Puericultura – princípios e práticas, onde aborda aspectos relacionados a "Estimulação cultural da criança".